13
set
08

discursos molestados.

Certamente, por milhares de motivos sociais e educacionais, nos deparamos com diversas formas de expressão que são diariamente oferecidas pelos nossos tão dinâmicos e contagiantes jovens, ou seja, os nossos futuros governantes, médicos, professores, arquitetos etc. Aliás, por um mero acaso do destino eu também faço parte desse grupo de pessoas. Pelo menos por causa da faixa etária.
Infatigáveis seres humanos da mesma idade em que eu me encontro e também mais novos submetem-se a situações das mais primitivas possíveis, as quais posteriormente passam por análises (já com a presença do bom senso) que sempre resultam em conclusões óbvias direcionadas às mais insanas lembranças dos feitos da noite anterior. Posso citar como exemplo as festas “rave”, aquelas que indivíduos esbaldam-se em bebidas alcoólicas, sacolejam a noite toda como se fossem bambus em dia de vendaval e, em certas horas da ocasião após várias doses de pinga somado ao delírio trazido pelas luzes piscantes enlouquecedoras, querem entrar nas caixas de som como se as mesmas fossem passagens secretas rumo ao paraíso. Fazem feio em clubes e em bailes como se aquele recinto fosse excluído da face da Terra, incomunicável.
Sem falar nas baladas, as festas que anteriormente eram chamadas de boêmias e que hoje é a marca registrada da juventude atual. Por meio delas é exposta a total liberdade juvenil que a todo o momento é escancaradamente exibida como forma de impor aos demais a soberania conquistada a evasivos modos. A ociosidade é tamanha que muitos fazem de seus carros verdadeiros deuses, pois são tão adorados e enfeitados que ultrapassam a realidade de um povo necessitado como é o brasileiro. Rebaixam os seus automóveis de tal maneira que acham estar arrasando, mas na verdade atingem o ridículo. Às vezes ficam tão baixos a ponto de anão ter que entrar deitado.
A comunicação entre os citados é a parte mais chocante e avassaladora já vista em todos os tempos. Em inúmeras gerações, desde Pedro Álvares Cabral, nunca foi visto tamanha desordem cultural. Definitivamente existe algo mais destruidor do que a Peste Negra há muitos anos: AS GÍRIAS. Enquanto a doença na Europa matava as pessoas fisicamente, as gírias vêm matando o bom português dos hábitos de quem as cultivam.
Como prestação de serviço público trago aqui uma espécie de dicionário, o qual convictamente servirá a você como instrumento de consulta, assim como para mim foi de grande serventia. Amedrontemos juntos:

BAGÚIO – Para se referir a qualquer objeto;

BROTHER – Amigo muito chegado;

COROA – Pais;

JOW – Termo usado para chamar qualquer pessoa. “Ei, jow!”;

MALUCO – “Véio” que não é muito chegado;

MANJAR – Verbo. O mesmo que entender. “Fiz assim, manja?”;

SANGUE BOM – Pessoa legal;

SINISTRO – Para denominar algo bom ou ruim. “Isso é sinistro!”;

SUSSA – Sossegado;

VÉIO – Amigo muito chegado;

VACILO – Falta, algo que não se deveria fazer;

TÁ LIGADO? – Termo usado como se fosse: “Está entendendo?”;

Etc.

A resistência jovial nesses quesitos só tem dificultado a proliferação do efetivo conhecimento em suas mentes. Então, por conseqüência, estamos gradativamente imergindo na superfluidade que está nos levando à confusão infinita. Lamentavelmente, se não formos vigilantes dos nossos próprios costumes, teremos, para toda as nossas vidas, DISCURSOS MOLESTADOS.

Fonte: Blog do Sérvulo.


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